16. A UESB COMO PÓLO DE CRESCIMENTO REGIONAL
Por estar distribuída em três campi: cidades de Vitória da Conquista, Jequié e Itapetinga, a sua presença espacial acaba facilitando ainda mais este papel do que se poderia chamar de setor de incentivo ao desenvolvimento local.
Também, pode-se correlacionar neste contexto o poder de atração que a universidade tem em relação às áreas circunvizinhas e regiões de outros estados do país, no que tange ao considerável fluxo de pessoas que vêm prestar curso na instituição.
Esta movimentação de pessoas tanto da própria região do sudoeste baiano, quanto do estado da Bahia e de algumas regiões do Brasil, provoca a demanda por uma infra-estrutura compatível e cada vez mais ampla para o novo quantitativo de pessoas que vêm estabelecer residência nas cidades de localização da Uesb.
O crescimento se dar em primeiro lugar por conta dos serviços tais como: aluguéis, restaurantes, supermercados, lavanderia, livraria, hotéis e outros, atrelado ao fato de que também a construção civil, principalmente na construção de novos edifícios de apartamentos tem crescido consideravelmente para fazer face à venda ou aluguel de imóveis.
Já os alunos que vem de fora representam um gasto considerável para a economia local, associada ao fato de que muitos acabam fixando residência nas cidades pois ao longo da sua estadia acabam prestando concurso ou seleção para empregos locais, se transformando assim em uma mão-de-obra volante em fixa.
O fluxo de candidatos externos é uma das principais premissas para que a UESB possa ser considerada hoje como um forte pólo de atração e desenvolvimento local da região sudoeste baiano, tendo como ponto de partida sua própria infra-estrutura física e acadêmica e diversas ações de pesquisa e extensão.
A UESB se encaixa perfeitamente no conceito de centro de polarização de Michel Rochefort (1966), que atrela este conceito aos diversos elementos que dão fluxo ou movimento de serviços e pessoas à uma região como: escolas, bancos, comércio variado, serviços especializados e outros;, e dentre eles estão exatamente as universidades, que são introduzidas pelo autor como itens de fluxos de grande região, pois podem exercer um poder de influência não somente limitado à sua região de origem mais sobre todo o país, como é o caso da UESB, quando observamos o fluxo de alunos que vêm de diversas partes do país para estudar na instituição.
Também na Teoria da Unidade Econômica de François Perroux (1960) conhecida como Teoria dos Pólos de Crescimento, apesar de estar associada ao teor de Pólo de Crescimento ligado ao aparecimento de uma indústria motriz que por seus mecanismos peculiares provoca o desenvolvimento de outras facetas da região, o autor cria escalas das ações dos pólos que vão desde o regional até o internacional, atrela estes pólos aos diversos elementos que contribuem, à sua maneira, ao dinamismo dos mesmos, onde ele chama de agentes provocadores do desenvolvimento, e no caso, se pode encaixar perfeitamente no conceito as universidades, e por que não dizer o caso da UESB na região Sudoeste da Bahia.
Ainda segundo Perroux, estes pontos de desenvolvimento têm função de provocar uma força centrípeta ou de atração para a região e isto depende da sua infra-estrutura e dinamismo próprio. No caso da UESB, pelo panorama apresentado nos itens de infra-estrutura física, de graduação, pós-graduação, pesquisa e extensão, é notório observar o seu caráter próprio de crescimento, levando a região à categoria de pólo de desenvolvimento local em crescente evolução para o nacional, seguindo os conceitos de hierarquia de pólos de desenvolvimento do citado autor.
Assim nem toda região têm uma indústria motriz que alavanque o seu desenvolvimento ou que seja atração para a mesma se instalar.
Neste caso existem podem existir os chamados agentes inovadores que são identificados como: universidades, centros de pesquisa, prefeituras, centros de fomento à pesquisa e outros.
Estes agentes cumprem a difícil tarefa de provocar a inovação, reduzindo os custos das empresas, estimulando o empreendedorismo e criando uma relação cada vez mais afinada entre empresa e instituição.
Neste contexto é que se identifica, paralelamente, o caráter endógeno de desenvolvimento da região, onde através das suas próprias forças internas de desenvolvimento advindas das ações empreendedoras e de formação de mão-de-obra especializada acabam criando um fluxo de produtos e pessoas cada vez mais competentes e importantes para o seu crescimento.
As universidades, como no caso da UESB na região Sudoeste, têm este papel, e a citada instituição tem feito sua tarefa de forma bastante considerável pois o comércio local tem recebido cada vez mais mão-de-obra especializada, parcerias têm surgido entre universidade e empresas, o próprio comércio têm se ampliado e diversificado em oferta de bens e serviços, têm surgido outros centros de estudo e pesquisa, como as universidades particulares, propagando ainda mais o conhecimento e formando uma nova cultura local, elevando o padrão intelectual da população em vários aspectos.
Pode-se também denominar a região, em função desta circunstância, de região inteligente que é outro conceito utilizado para casos desta natureza, ou seja, para regiões onde o investimento na ciência têm sido notável e não se resumindo apenas nele mas nas suas relações inovadoras com o território e na produção de conhecimentos oferecendo condições de expansão local.
Assim, a chamada região inteligente gera e difunde os conhecimentos através das universidades, indústrias, centros tecnológicos, empresas e outros; sendo que no caso da região Sudoeste têm-se encontrado nas outras universidades existentes e mais especialmente na UESB este papel.
Este é sem dúvidas um crescimento fudamentado no fator humano local e externo, uma vez que a sua principal característica se baseia na demanda de alunos que vêm estudar na UESB que é muito considerável, chegando ao patamar de 18.000 mil estudantes candidatos oriundos da própria região, do estado e de todo o país; dados estes constatados no último vestibular, realizado no início do ano de 2008.
Então a universidade passa a ser paulatinamente uma estrutura que cresce e vem dar sustentabilidade à infra-estrutura econômica, social, e cultura da região, tomando como força propulsora principal ao fluxo de pessoas que vêm de várias outras localidades, para se candidatarem à uma vaga na instituição e isto movimenta e transforma a região em um pólo de atração e conseqüente crescimento em função da universidade.